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8.5.2. Detecção Precoce/Rastreamento

No Brasil, a principal estratégia utilizada para detecção precoce/rastreamento do câncer do colo do

útero é a realização da coleta de material para exames citopatológicos cervico-vaginal e microflora,

conhecido popularmente como exame preventivo do colo do útero; exame de Papanicolaou;

citologia oncótica; PapTest.

A efetividade da detecção precoce associado ao tratamento em seus estádios iniciais tem resultado

em uma redução das taxas de incidência de câncer invasor que pode chegar a 90%. De acordo com a

OMS, quando o rastreamento apresenta boa cobertura – 80% – e é realizado dentro dos padrões de

qualidade, modifica efetivamente as taxas de incidência e mortalidade por esse câncer.

Apesar das ações de prevenção e detecção precoce desenvolvidas no Brasil, dentre elas o Programa Viva

Mulher-Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e de Mama, as taxas de incidência e mor-

talidade têm-se mantido praticamente inalteradas ao longo dos anos. Parte da manutenção das taxas podem

estar associadas ao aumento e a melhoria do diagnóstico que melhora a qualidade da informação e dos

atestados de óbitos. Por sua vez, dentre as causas, o diagnóstico tardio pode estar relacionado com:

1. A dificuldade de acesso da população feminina aos serviços de saúde;

2. A baixa capacitação de recursos humanos envolvidos na atenção oncológica, principalmente em

municípios de pequeno e médio porte;

3. A capacidade do sistema público em absorver a demanda que chega as unidades de saúde;

4. A dificuldade dos gestores municipais e estaduais em definir e estabelecer uma linha de cuidados

que perpasse todos os níveis de atenção - atenção básica, média complexidade e alta complexidade

– e de atendimento - promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos.

8.5.2.1. Faixa Etária e Periodicidade para Realização do Exame Preventivo do Colo do Útero

A periodicidade de realização do exame preventivo do colo do útero, estabelecida pelo Ministério

da Saúde do Brasil, em 1988, permanece atual e está em acordo com as recomendações dos principais

programas internacionais.

O exame citopatológico deve ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade, uma vez por ano

e, após dois exames anuais consecutivos negativos, a cada três anos.

Essa recomendação apóia-se na observação da história natural do câncer do colo do útero, que per-

mite a detecção precoce de lesões pré-malignas ou malignas e o seu tratamento oportuno, graças à lenta

progressão que apresenta para doença mais grave.

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Os estudos têm demonstrado que, na ausência de tratamento, o tempo mediano entre a detecção de

HPV, NIC I e o desenvolvimento de carcinoma in situ é de 58 meses, enquanto para NIC II esse tempo é

de 38 meses e, para NIC III, de 12 meses. Em geral, estima-se que a maior parte das lesões de baixo grau

regredirá espontaneamente, enquanto cerca de 40% das lesões de alto grau não tratadas evoluirão para

câncer invasor em um período médio de 10 anos. Por outro lado, o Instituto Nacional de Câncer dos Estados

Unidos calcula que somente 10% dos casos de carcinoma in situ evoluirão para câncer invasor no primeiro

ano, enquanto que 30% a 70% terão evoluído decorridos 10 a 12 anos, caso não seja oferecido tratamento.

Segundo a OMS, estudos quantitativos têm demonstrado que, nas mulheres entre 35 a 64 anos,

depois de um exame citopatológico do colo do útero negativo, um exame subseqüente pode ser realizado

a cada três anos, com a mesma eficácia da realização anual. Conforme apresentado abaixo, a expectativa

de redução percentual no risco cumulativo de desenvolver câncer, após um resultado negativo, é

praticamente a mesma, quando o exame é realizado anualmente – redução de 93% do risco – ou quando

ele é realizado a cada 3 anos – redução de 91% do risco.

Efeito protetor do rastreamento para câncer do colo do útero de acordo com o intervalo entre os

exames, em mulheres de 35 a 64 anos.

Fonte: van Oortmarssen et al., 1992.

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CURA FÁCIL

3 a 8 anos 10 a 15 anos 10 a 15 anos

CURA DIFÍCIL

Intervalo entre os exames Redução na incidência cumulativa

1 ano 93

2 anos 93

3 anos 91

5 anos 84

10 anos 64

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Anexo 4

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