Download LIVRO GS PDF

TitleLIVRO GS
TagsAgeing Sociology Old Age Family State (Polity)
File Size1.2 MB
Total Pages381
Document Text Contents
Page 1

PROCESSOS DE
ENVELHECIMEN O
EM PORTUGAL
Usos do tempo, redes sociais e condições de vida

Coordenador

Manuel Villaverde Cabral

Investigador principal

Pedro Moura Ferreira

Pedro Alcântara da Silva

Paula Jerónimo

Tatiana Marques

Page 190

189

rádio (42,6%), tratar ou passear um animal de estimação (40,5%), ouvir música
(39,3%) e passear (25,2%).

As restantes actividades diferenciam-se pela prática menos frequente e
até, em muitos casos, pelo facto de nunca serem praticadas pelos inquiridos.
Tendo por base esta última consideração, as actividades menos praticadas
são: participar em eventos promovidos por partidos políticos, sindicatos ou
movimentos cívicos (93,2% nunca participaram); ir a cursos ou acções de for-
mação por sua iniciativa (89,3%); realizar uma actividade artística (89,2%); ir
a eventos desportivos (79,5%); jogar jogos de mesa (74,2%); ir ao cinema, con-
certos, teatros, museus, galerias ou exposições de arte (73,5%), usar um com-
putador (71,1%), fazer palavras cruzadas ou quebra-cabeças (68,6%); praticar
desporto (64,2%); fazer artesanato, trabalhos manuais e reparações caseiras
(60,3%); fazer jardinagem ou cultivar uma horta (53,0%) e visitar amigos e
conhecidos ou convidá-los para sua casa (31,3%).

São os homens quem pratica com maior frequência a maioria das activi-
dades de tempos livres. Tendo em conta a frequência diária, algumas activi-
dades destacam-se pela grande diferença observada entre a prática masculina
e a prática feminina. Ler diariamente é a actividade que apresenta a maior
diferença entre homens e mulheres (20,4%), seguido de ouvir rádio (15,5%),
ouvir música (13,8%) e usar um computador (13,6%). As actividades de carác-
ter mais instrumental e associadas à esfera privada, como tarefas domésticas,
artesanato, trabalhos manuais e reparações caseiras, são praticadas mais fre-
quentemente pelas mulheres.

A idade dos indivíduos (Quadro 4.2) introduz efeitos visíveis na prá-
tica das actividades. Tendencialmente, o nível de actividade decresce no caso
dos indivíduos mais velhos. Quanto mais velhas são as pessoas, menor é a
frequência da prática de actividades de tempos livres e maior o número de
actividades que nunca são praticadas.

Analisando a prática destas actividades de tempos livres segundo o nível
de escolaridade dos inquiridos (Quadro 4.3), verifica-se que as diferenças se
estabelecem, na maior parte dos casos, entre as pessoas que têm um dos dois
níveis de escolaridade mais elevados (ensino secundário e ensino superior) e
as que não têm qualquer nível de escolaridade ou têm apenas o ensino básico.
As primeiras são quem declara praticar mais frequentemente todas as acti-
vidades. Ler, passear, ir ao cinema e a outros eventos culturais, assim como
participar em cursos ou acções de formação, são actividades cuja prática se
diferencia em todos os níveis de escolaridade.

Quanto ao estado civil dos inquiridos (Quadro 4.4), na generalidade,
casados, solteiros e divorciados ou separados diferenciam-se sobretudo dos
viúvos, que são quem pratica menos frequentemente todas as actividades de

Page 191

190

tempos livres. Verifica-se igualmente, em relação a algumas actividades, que
os indivíduos solteiros, divorciados ou separados são os que declaram uma
menor prática. É o caso das actividades instrumentais (tarefas domésticas),
por razões de necessidade, mas também as actividades de carácter individual
(usar um computador, fazer palavras-cruzadas e quebra-cabeças), confir-
mando de algum modo as tendências sociológicas reconhecidas para uma
relativa desvinculação – ou menor integração social – por parte das pessoas
sem vínculos familiares.

Por último, tendo em conta a situação profissional dos inquiridos
(Quadro 4.5), é possível identificar duas tendências. Na maior parte das acti-
vidades, a prática distingue-se de acordo com o binómio activo/inactivo.
Os indivíduos em idade activa, empregados ou desempregados, praticam mais
frequentemente determinadas actividades (usar computador; visitar amigos
e recebê-los em sua casa; ler; ouvir rádio; ouvir música; praticar desporto; ir a
eventos desportivos; jogar jogos de mesa e ir a cursos de formação) do que os
reformados ou domésticas. Apesar da disponibilidade de tempo que se asso-
cia às pessoas que já não trabalham e do desejo, muitas vezes manifestado,11
de ter tempo livre para a realização de actividades, são, no entanto, aqueles
que ainda participam no mercado de trabalho que mais actividades realizam.
Nomeadamente em relação a algumas actividades, como participar em even-
tos promovidos por partidos políticos, sindicatos ou movimentos cívicos12;
realizar palavras cruzadas ou quebra-cabeças; tratar de um animal de esti-
mação e ir ao cinema e outros eventos culturais, são os indivíduos activos
empregados aqueles que as praticam com maior frequência.

Quadro 4.1 Frequência de realização de actividades por sexo

  Homens Mulheres Total

  n % n % n %

Realizar tarefas domésticas            

U=71693,000; p= 0,000            

Diariamente 204 45,9% 499 91,3% 704 70,9%

2 a 5 vezes por semana 51 11,5% 16 2,9% 67 6,8%

1 vez por semana 43 9,6% 13 2,4% 56 5,6%

1-3 vezes por mês 14 3,2% 2 ,3% 16 1,6%

Menos de 1 vez por mês 20 4,5% 1 ,3% 22 2,2%

Nunca 113 25,3% 15 2,8% 128 12,9%

Total 446 100,0% 547 100,0% 992 100,0%

11. . A vontade de ter tempo
livre para poder realizar
actividades foi manifestada
pela maioria dos participantes
dos Focus Group.

12. No caso desta actividade,
a prática está muito associada
à situação profissional. São as
pessoas empregadas as que
mais se mobilizam e participam,
sobretudo, em actividades
promovidas pelos sindicatos.

Page 380

379

Similer Documents