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Page 1

UMBANDAUMBANDAUMBANDA
A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO

PARA A CARIDADE

MÓDULO II

PADRINHO JURUÁ

“Os princípios fundamentados através das “Linhas
Mestras” do Caboclo das Sete Encruzilhadas,

determinaram uma “Linha de Trabalho” que será, mais
hoje, mais amanhã, aquela que definirá os rumos

verdadeiros da Umbanda”.

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Padrinho Juruá – 1956


“UMBANDA – A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO PARA A CARIDADE”


MÓDULOS I, II, III e IV


São Caetano do Sul, 2013

985 p.


Fundação Biblioteca Nacional


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Nº Registro: 533.475 – livro: 1024 – folha: 149




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CAPA: Concepção do Orixá Mallet – O “Capitão de Demanda” da Tenda Espírita Nossa
Senhora da Piedade

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Podemos então perceber que a raiz da Umbanda não está no homem, mas sim no Espírito de Deus. Talvez,
devido a este fato, a Umbanda não tenha uma codificação como o Espiritismo tem. Não tem um codificador
(apesar de muitos irmãos quererem codificá-la) justamente para não criar certos dogmas e mitos, para não
impor uma concepção única a respeito da Espiritualidade, dando-lhe a liberdade para que os irmãos se utilizem
dos segmentos teológico/religioso que mais tiver afinidades, mas sabedor que só se chega ao Pai Maior
utilizando-se da caridade desinteressada como prova de amor ao próximo, praticando assim o Evangelho de
Jesus, tal qual nos foi revelado.

A raiz africanista de que muitos irmãos falam, parte da forte influência da cultura negra no processo de
miscigenação umbandista. No entanto, estes mesmos irmãos não atentaram a analisar a Umbanda sob a
perspectiva indígena. Ao chegarem os brancos europeus e posteriormente os negros escravos no Brasil, já
existia aqui uma raça e uma cultura predominante. Os Tupis, Tupinambás e Tupis-Guaranis.

Os índios, na época, já tinham seus ritos religiosos e magísticos, danças típicas como o “Aruanã”, danças
totêmicas, cultuavam e reverenciavam as forças da Natureza como manifestações da divindade, tendo cada
divindade respectiva, que, inclusive, podemos associar aos Orixás da Umbanda. Vejamos a Teogonia indígena:

TUPI ARCAICO GUARANI UMBANDA


Tupã




Nhanderú


Deus – Zambi



Araxalá




Yandé Yará


Oxalá (Jesus)


Xingu




Karamurú


Xangô


Araxassi




Aimoré


Oxossi



Yêagaum




Urubatan


Ogum


Yámanyá




Cy ou Yacy


Yemanjá



Rudá




Rudá


Oxumarê


Yára




Yára ou Prânacy


Oxum


Yámanacy




Amanacy


Nanã Buruquê



Yêmuerá




Payessú


Omulú


Yávyara




Ycayabá


Yansã


Yêrumym




Kurumym


Ybeji



Mara




Mara


Pomba-Gira


Anhangá




Anhangá


Exu


Estes são alguns exemplos e creio que muitos irmãos devem estar surpresos com estas informações, pois não
costumamos valorizar nossa própria cultura, nossa brasilidade.

Percebemos aqui semelhanças entre cultos e rituais afros e indígenas. Raças diferentes, continentes
diferentes, culturas diferentes. Tudo coincidência???

Acreditamos que tudo isso mostra a essência Divina que se manifesta em todas as partes, de acordo com a
cultura, a estrutura social e a herança religiosa de cada povo.

(Texto de Hugo Saraiva, com complementações do autor)

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A contribuição Indígena para a Umbanda, basicamente, foi a presença fluídica arquetípica regional de silvícolas
e mestiços, o uso da ectofitoplasmática em banhos e defumações, o Tabaco sagrado e o respeito à Mãe Terra.


Os Espíritos com a roupagem fluídica arquetípica de Caboclos na Umbanda:


Com a roupagem fluídica arquetípica regional de silvícolas nominamos de: “Linha Mestra de Trabalhos
Espirituais dos Guias Caboclos (as) da Mata”.


Dessa Linha Mestra de Trabalhos Espirituais, surgem duas Linhas Auxiliares de Trabalhos Auxiliares:


1) Com a roupagem fluídica de cafuzos, surge a Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Protetores
Caboclos Sertanejos (Caboclos Boiadeiros e Caboclas Rendeiras).


2) Com a roupagem fluídica de mamelucos, surge a Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Protetores

Caboclos D´Agua (Caboclos Marinheiros, Caboclos Marujos, Caboclos Barqueiros, Caboclos
Pescadores, Caboclos Canoeiros, Caboclos Caiçaras, Caboclos Jangadeiros, e Caboclas Lavadeiras).


Daí percebe-se, usando a razão e o bom senso, que a maior Linha de Trabalho Espiritual, e a de maior
contribuição dentro da Umbanda não é a indígena africanista, mas sim, a indígena brasileira.

É isso. É ver, observar, estudar e comprovar.

Devemos estudar e resgatar as tradições indígenas da nossa terra, observando seus ensinamentos, pois ali
encontraremos as “chaves” para muita coisa que ainda na Umbanda muitos dizem ser mistério. O que não
podemos fazer é trazer para a Umbanda o primitivismo da Pajelança, o fetichismo, o vestuário, cocares de
pena, tacapes, arcos e flechas, machados de pedra, ingestão de bebidas alcoólicas, alucinógenas e/ou
enteógenas, o folclore, a superstição e o totemismo indígena e caboclo, mas sim, trazer e incorporar em nossa
cultura todo o conhecimento e o respeito à Natureza e as coisas Divinas, que os indígenas se diplomaram há
séculos. Afinal, somos uma Religião Crística,


 CATOLICISMO POPULAR





Embora a maioria dos dirigentes Umbandistas tenha assumido a identidade Umbandista, raramente o
catolicismo é renegado. Podem, eventualmente, criticar algumas atitudes da Santa Sé, mas, em geral, não
deixam de respeitar o catolicismo, que, aliás, é uma instituição respeitável.

Os símbolos e orações usados pelos católicos estão sempre presentes nas sessões de Umbanda. Não nos
referimos apenas à presença dos Santos católicos nos altares, mas a própria celebração e sacramentos. Os
cânticos de abertura e fechamento de sessões mais comuns dizem: “Abro e fecho a nossa gira com Deus e
Nossa Senhora”.

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Do que se compõe o símbolo: círculo – triângulo e cruz:


Círculo: Símbolo universal do infinito, do universo. Pode representar o Tudo ou o Nada, dependendo
da interpretação. Também é conhecido como o “olho fechado de Deus”. Ele pode conter a criação, a fertilidade
e a origem da vida. Um símbolo universal de unidade, totalidade, infinito, representando também o poder
Feminino. Para as religiões centradas na Terra é um símbolo que representa o Sagrado Feminino, a Mãe Terra
e o Espaço Sagrado.

Representa o Universo, o Cosmo, a Totalidade. O círculo representa noções de totalidade, inteireza, perfeição,
o Self, o infinito, eternidade, todo movimento cíclico, Deus. “Deus é um círculo cujo centro está em todo lugar e
cuja circunferência está em lugar algum” (Hermes Trimegistus).


Triângulo: Simboliza o ternário Divino, ou princípio espiritual, dentro da totalidade. O triângulo é a
primeira figura geométrica perceptível e, por isso, tem-se revestido de grande significado simbólico para
diversas civilizações. O triângulo equilátero simboliza os ternários, ou tríades divinas, conceito comum às
antigas civilizações e à maioria das religiões.

O triângulo equilátero é de natureza neutra, representando o perfeito equilíbrio entre os três aspectos da
divindade, quando tem o seu ápice voltado para cima, simbolizando as qualidades espirituais.

Observemos na gravura antiga abaixo, a representação cristã da Santíssima Trindade. Para os cristãos, o
triângulo representa as Três Pessoas da Santíssima Trindade – Pai Filho e Espírito Santo.

Entendemos essa Trindade como: Pai: Deus, nosso Criador. Filho: O Cristo Planetário e seu médium Jesus,
nosso redentor. Espírito Santo: A presença das Santas Almas Benditas, os Espíritos Santos de Deus na
Umbanda, os Espíritos Tutelares, nossos amados Guias e Protetores Espirituais.





Cruz: Formada pela intersecção de dois segmentos retos, um vertical e o outro horizontal, a cruz
representa o quaternário espiritual e neutro. Aqui, o Princípio Divino e a Terra estão combinados em harmonia.
A cruz representa os 04 elementos primordiais da Natureza: Terra, Ar, Fogo e Água.

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É o centro do mundo e por isso o ponto de comunicação entre o Céu e a Terra; é também um eixo cósmico,
compartilhando o simbolismo da árvore e a montanha cósmica, etc.

A cruz representa a Árvore da Vida e a Árvore da Nutrição. É também um símbolo do homem universal,
arquetípico, capaz de harmoniosas e infinitas expansões tanto no plano vertical quanto no horizontal; a linha
vertical é celestial, espiritual e intelectual, positiva, ativa e masculina enquanto a horizontal é o mundano,
racional, passivo, e negativo e feminino culminando na cruz inteira que forma o andrógino primordial.

Em termos cristãos, é a salvação através do sacrifício de Jesus; redenção; expiação, renovação, perdão e fé. A
cruz também representa a aceitação da morte ou sofrimento e sacrifício. Ela é mais do que uma figura de
Jesus, ela se identifica com sua história humana, com a sua pessoa.

Apontando para os quatro pontos cardeais, a cruz é a base de todos os símbolos de orientação, nos diversos
níveis de existência do homem.

A cruz é o mais totalizante dos símbolos. A cruz é, então, o símbolo da glória eterna, da glória conquistada pelo
sacrifício e culminando em uma felicidade extática.

A cruz, representativa da nossa escalada espiritual, aonde vamos evoluindo e nos transformando, vencendo
nossas imperfeições, para atingirmos nossa Espiritualidade Maior.

Sintetizando o símbolo do Triângulo e da Cruz para a Umbanda Crística:


O homem espiritual conquistando sua evolução. A cruz representa a caridade desmedida que simboliza a
maior expressão de amor.


A presença do Pai, do Filho e do Espírito Santo, desenvolvendo sua espiritualidade (mediunidade)
através de, e com os Guias e Protetores Espirituais, os Espíritos Santos de Deus, pautados nos ensinamentos
crísticos, principalmente no Evangelho Redentor, portanto, sendo Um como Pai.


Encerrando tudo na totalidade de Deus, nosso Criador.

Juntando tudo isso, forma-se o símbolo da Umbanda:






“O Pai, o Filho e o Espírito Santo chamando os doadores do amor Divino para a
prática da Caridade”.

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